Como tem sido de praxe nas viagens internacionais do presidente Luis Inácio Lula da Silva, suas visitas oficiais à Moscou e Teerã incluem um seminário para empresários locais e brasileiros. Mas numa turnê cujos objetivos diplomáticos e comerciais são um pouco mais especiais que o habitual, a delegação brasileira vai oferecer um presente gastronômico aos anfitriões. No caso do Irã, um churrasco celebratório.
Trata-se de mais do que promoção da carne brasileira, que tem tanto russos como iranianos entre os principais importadores. Tanto que um dos integrantes da comitiva brasileira é o chef Rodrigo Sanchez, que pilota a cozinha do I Maestri, o renomado restaurante flutuante que têm algumas das mesas mais concorridas de Brasília.
Sanchez também estará a cargo da diplomacia gastronômica em Moscou, quando o almoço para empresários e dignatários trará um cardápio com frango ao molho de caipirinha, lombo de porco com molho de laranja e sálvia e mesmo um strognoff, um dos pratos nacionais russos, que tem receitas datadas do século 19. Embora tenha realizado recentemente seminários do Reino Unido e na Alemanha, tais eventos não contaram com o mimo culinário.
O fato de o Irã em março ter se tornado o segundo maior importador de carne bovina in natura do Brasil já deu às autoridades brasileiras informações de sobra para evitar ferir sensibilidades culturais e religiosas - a religião muçulmana estabelece uma série de normas para produtos alimentícios que inclui um tipo de abate especial, em que o gado precisa ser separado e morto por um açougueiro islâmico, que inclusive profere uma reza antes de matar o animal por métodos naturais - não é permitido o uso de choques elétricos, por exemplo.
Os alimentos que obedecem às leis são classificados como halal e há até um órgão certificador especializado no Brasil, a Central Islâmica Brasileira de Alimentos Halal, que estima em cerca de 200 o número de frigoríficos credenciados no país - um negócio que tem despertado a atenção de consórcios de países muçulmanos.
Mas enquanto no evento em Moscou a caipirinha também será servida em seu formato clássico, não apenas como molho, o drinque passará longe do churrasco em Teerã. Especialmente se um dos convidados ilustres, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, der o ar da graça.
Fonte: O Globo (on line), 13/05/2010.
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